Empresas que investem em humanização se destacam nas crises
Não é de hoje a reflexão de que em época de desenvolvimento de altas tecnologias, inteligência artificial e soluções inovadoras, nunca foi tão necessário olhar para o ser humano que conduz toda essa transformação e precisa fazer parte dela. Nunca é demais lembrar que tudo que já foi criado ou o que ainda será, precisa ser encarado como um meio para agilizar processos e o próprio trabalho.
Neste sentido, para mostrar o quanto é importante reconhecer e valorizar a humanização em meio ao avanço tecnológico, estudiosos e pesquisadores estão atentos aos sinais e dados que dizem muito sobre a nossa geração atual e ajudam até mesmo a entender o que podemos esperar em um futuro próximo em relação ao desenvolvimento em si, mas também ao mercado de trabalho e as perspectivas e impactos destes avanços.
Divulgada na segunda semana de abril, uma pesquisa realizada com 36.868 pessoas e 226 empresas indicou que companhias com maturidade de gestão, que geram maior valor a todos os stakeholders, possuem uma liderança consciente e têm uma cultura capaz de se adaptar e olha para o longo prazo resistem melhor às crises.
Para chegar a essa comparação, a startup Humanizadas, que conduziu o estudo, olhou a rentabilidade financeira em cada amostra durante o período de dezembro de 1988 até dezembro de 2020. Foram consideradas na amostra as oito maiores empresas “humanizadas” de destaque no estudo, 30 que integravam o ISE na época do estudo (ano passado) e 427 listadas na B3.
Algumas humanizadas também integram a amostra do ISE. “Em todos esses períodos, mesmo passando por crises políticas, econômicas, sociais e ambientais, até mesmo enfrentando uma pandemia, podemos notar que empresas que olham para o capital humano desempenham melhor”, afirmou Pedro Paro, pesquisador de doutorado do Grupo de Gestão de Mudanças da Universidade de São Paulo (USP) e CEO da Humanizadas*.
E olha que interessante, para avaliar as 226 empresas e definir como elas estão com relação ao nível de humanização, Paro explicou que foi criado um índice inspirado na classificação de risco usada por agências de crédito. O rating de consciência mede quanto uma empresa pode gerar de valor de maneira intencional para todos os stakeholders e é mensurado por meio de dados quantitativos fornecidos pelas organizações, com entrevistas qualitativas envolvendo comunidade, funcionários, fornecedores, investidores e executivos.
A partir dos resultados, as empresas foram categorizadas em 11 níveis (AAA, AA, A, BBB, BB, B, CCC, CC, C, D e E), sendo o primeiro (AAA) o mais desenvolvido e o último (E), o menos desenvolvido).
E nesta pesquisa, outro dado chamou a atenção também: nenhuma organização da amostra atingiu os índices AAA e AA (maturidade de gestão mais elevada, relações extremamente positivas e alta percepção de valor gerado para lideranças, colaboradores, clientes, parceiros, sociedade e planeta). Nos índices A e BBB (maturidade de gestão alta, relações positivas e alta percepção de valor gerado para lideranças, colaboradores, clientes, parceiros e sociedade), 12 e 52 empresas, respectivamente, atingiram a marca.
O que mais a pesquisa constatou:
- Que as empresas mais humanizadas pensam menos no “ego” e mais no “eco”;
- Demonstram a coerência entre o discurso e a prática, refletem a percepção de múltiplos stakeholders sobre a qualidade de gestão e das relações que uma organização nutre com os diferentes grupos interessados no sucesso da empresa – lideranças, colaboradores, clientes, parceiros e sociedade;
- São também empresas que mensuram seu impacto em diversas frentes, têm diagnósticos, se comparam a outras organizações, possuem instrumentos para avaliar a qualidade da relação com todos [fornecedores, funcionários, comunidade, sociedade, investidores].
Por fim, Paro fez questão de lembrar e reforçar ainda que no aspecto micro e interno, o que faz mesmo a diferença para a criação, atuação e manutenção de um negócio mais humanizado, é a liderança. “Quando olhamos as entrevistas do estudo fica claro que o principal é ter uma liderança coerente, disposta atuar a servir e apoiar o desenvolvimento do time e dos outros – que não lidera só para ela – e que dá o exemplo no dia a dia, não apenas no workshop do fim de ano”, pontuou.
Ou seja, tudo que eu venho abordando nos meus últimos artigos e que agora foi testado. Que todos possam entender de forma definitiva que liderar é mostrar aos liderados o que está dentro da sua cabeça e coração. Só assim é possível enfrentar qualquer crise e sair ainda mais forte e respeitado.
*Fonte:https://valor.globo.com/carreira/noticia/2021/04/16/empresas-humanizadas-resistem-melhor-as-crises.ghtml
BENITO PEDRO VIEIRA SANTOS
Especialista em Reestruturação de Empresas